Gol negocia jornada flexível por 18 meses.

A Gol negocia esse semana com funcionários e sindicatos a extensão dos acordos de flexibilização de jornada e salário até dezembro de 2021. A ideia, segundo o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, é adotar uma jornada flexível, que vá aumentando de acordo com a demanda nesse período. A proposta foi aprovada ontem pelos pilotos e comissários de bordo da companhia e envolve 5,2 mil pessoas. O acordo ainda está em discussão com os aeroviários, que trabalham em terra.

“Daremos estabilidade por 18 meses para quem aceitar o acordo. Senão fizer isso a companhia dificilmente conseguirá evitar demissões nos próximos meses”, disse Kakinoff. A Azul e a Latam também discutem a prorrogação dos acordos de redução de jornada e licenças não remuneradas, de acordo com os sindicatos.

Entre abril e junho, a Gol havia feito acordo para reduzir 50% das despesas com a folha de pagamento, adotando redução de 50% na jornada e no salário e licença não remunerada para 6,2 mil dos seus 16 mil funcionários. A companhia também abriu um program de demissão voluntária, mas não informou as metas de adesão.

Os gastos com a folha de pagamento somaram R$ 595,2 milhões no primeiro trimestre, ou 28% dos custos e despesas operacionais. É a segunda maior despesa da Gol, depois de combustíveis, que atingiram R$ 1 bilhão no período.

A pandemia levou a companhia a reduzir a oferta de voos em 93% em abril, em mesmo mês de 2019, e a paralisar 120 aviões (92% da sua frota).

A Gol também negocia novos prazos de pagamento com credores e arrendadores de aviões. A empresa conseguiu adiar para o segundo semestre o pagamento de cerca de R$ 450 milhões a arrendadores e o pagamento a fornecedores de combustíveis. “Nos concentramos primeiro nos vencimentos até junho. Agora temos nos dedica à negociação dos vencimentos seguintes”, disse Kakinoff.

A Gol devolveu 11 aeronaves neste semestre e planeja devolver um total de 18 aviões arrendados neste ano. Outros 30 podem ser devolvidos entre 2021 e 2022.

Além dos arrendamentos, vence em agosto um empréstimo internacional de US$ 300 milhões e, em setembro, R$ 150 milhões em debêntures. Em março, a Gol tinha R$ 7 bilhões em fontes de crédito, sendo R$ 4,2 bilhões em caixa e equivalentes de caixa. As dívidas que vencem no ano somam R$ 4,99 bilhões.

A situação financeira da Gol é mais confortável que das rivais Latam e Azul. A Latam pediu recuperação judicial nos Estados Unidos com dívidas de US$ 17,96 bilhões. A empresa fechou o primeiro trimestre com caixa de US$ 1,66 bilhão. A Azul atingiu no período um caixa de R$ 3,11 bilhões e R$ 20,02 bilhões em dívidas, das quais R$ 4,17 bilhões vencem este ano.

“Essa crise está provocando uma mudança na configuração do setor aéreo no mundo, com pedidos de recuperação judicial, falências e fusões. Mas não vejo um cenário de falência no Brasil”, disse Kakinoff.

Sem perspectiva de novos investidores e com queda drástica na receita, a Gol, como suas rivais, espera concluir com o BNDES o acordo para financiamento de aproximadamente R$ 2 bilhões por empresa. O BNDES vai arcar com 60% do valor, bancos comerciais vão entrar com 10% e outros 30% serão recursos de mercado.

“Acredito que vai levar mais umas duas semanas para concluir o modelo da operação”, disse Kakinoff. O executivo ressaltou que a Gol tem caixa para bancar suas despesas até o fim do ano. “Esse crédito não representa um condição ‘sine qua non’ para a Gol suportar a crise. Mas o cenário está muito fluido e pode mudar”, disse.

Kakinoff vê a pandemia em três fases. A primeira vai desde o surgimento da doença até a queda no número diário de novos casos. Nesse, período, que deve durar o fim do mês, a demanda no setor aéreo se resume a pessoas que precisam viajar. “Começamos com 50 voos diários em abril para atender esse público e fizemos ajuste para 70 a 80 voos por dia”, disse.

Na segunda fase que deve começar em julho a demanda por voos terá recuperação lenta. “Até dezembro, a demanda chegará a 65% a 75% do que era em 2019”, afirmou Kakinoff. A recuperação completa do setor virá em 2021, após o controle da pandemia.

“A recuperação para o setor aéreo é muito gradual. E todos os agentes de cadeia terão que colaborar e se sacrificar para que a retomada aconteça. Dada a predisposição demonstrada pelos agentes tenho confiança que vamos conseguir reestruturar juntos a saúde econômica da empresa. Provavelmente levará o ano de 2021”, afirmou Kakinoff.

FONTE: Valor Econômico

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